
A nova versão do relatório da CPI da Pandemia, submetida ao colegiado, nesta terça-feira (26), trouxe uma série de “melhorias” e “aprofundamentos”, nas palavras do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), em relação à versão inicial, apresentada na semana passada. Entre as mudanças está a inclusão de mais doze nomes na lista de indiciamentos propostos, levando o total a 78 pessoas físicas e 2 jurídicas.
— Conforme compromisso que assumimos por ocasião da leitura do nosso relatório, todos os acréscimos sugeridos, compatíveis com a investigação, com as provas, com os indícios, foram acolhidos — afirmou Renan.
Além do aumento da lista de indiciados, outras inclusões na versão do relatório divulgada nesta terça são:
Renan Calheiros leu no início da reunião desta terça a nova lista de nomes cujos indiciamentos serão propostos. Dessa lista, 66 nomes e duas empresas já constavam da versão anterior do relatório. Todos foram mantidos e foram acrescentados mais doze nomes, levando a um total de 78 pessoas e duas empresas.
Na nova lista passaram a figurar o governador do Amazonas, Wilson Lima, e o secretário de Saúde do Estado, Marcellus Campêlo, acusados de má gestão da pandemia no estado, levando à crise de oxigênio que teria matado centenas de pacientes de covid no início deste ano. Ambos são citados por prevaricação (artigo 319 do Código Penal). Wilson Lima ainda é citado pelo artigo 267 (epidemia com resultado morte) e por dois artigos da Lei 1.079/1950 (crimes de responsabilidade, que podem ensejar impeachment).
Enquadrados por epidemia com resultado morte (artigo 267 do Código Penal), entraram na lista:
Dentre os detentores e ex-detentores de cargos no Ministério da Saúde, com indiciamento sugerido por advocacia administrativa (artigo 321 do Código Penal), foram incluídos:
Houve um acréscimo entre os nomes relacionados à disseminação de fake news sobre a pandemia: o coronel Hélcio Bruno de Almeida, presidente da entidade intitulada Instituto Força Brasil, que, segundo o relatório, deu suporte jurídico e financiamento a sites e grupos envolvidos na disseminação de desinformação.
Foi incluído, ainda, Amilton Gomes de Paula (conhecido como Reverendo Amilton), representante da organização não-governamental Senah, sigla de “Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários” (que, apesar do nome, não tem qualquer vínculo com a administração pública). Ele é o primeiro e único nome que figura no relatório com sugestão de indiciamento pelo artigo 332, caput, do Código Penal (tráfico de influência). Ele teria ajudado Luiz Paulo Dominguetti a marcar reuniões no Ministério da Saúde para apresentar, em nome da empresa americana Davati, a proposta de venda de milhões de doses de AstraZeneca.
A inclusão de um membro da própria CPI na lista de indiciáveis, o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), causou polêmica na reunião. De manhã, Heinze chegou a ser adicionado à lista de pedidos de indiciamento, a pedido do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que o acusa de disseminar falsas informações sobre a doença. Eduardo Girão (Podemos-CE), Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), Jorginho Mello (PL-SC) e Marcos Rogério (DEM-RO) criticaram a decisão, lembrando que, pelo artigo 53 da Constituição, “os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”.
No início da noite, o próprio Alessandro Vieira pediu a retirada do nome de Heinze, afirmando ter se “rendido” aos argumentos de colegas, “inclusive do sr. presidente desta Casa [Rodrigo Pacheco], no sentido de que a imunidade parlamentar no exercício da tribuna teria uma determinada percepção alargada”.
— Não concordo pessoalmente, mas me rendo à maioria. Mas faço isso mais por uma razão de mérito: não se gasta vela boa com defunto ruim — alegou Alessandro.
A pedido do senador Alessandro, Renan Calheiros retirou o nome do senador Heinze da lista de indiciados do relatório final da Comissão, que foi apresentado em versão final com os seguintes indiciados:
Presidente da República, Jair Bolsonaro
Ex-Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e ex-ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni
Ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo
Ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário
Ministro da Defesa e ex-ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto
Ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco
Deputado Ricardo Barros (PP‑PR)
Senador Flávio Bolsonaro (Patriota‑RJ)
Deputado Eduardo Bolsonaro (PSL‑SP)
Deputada Bia Kicis (PSL ‑DF)
Deputada Carla Zambelli (PSL‑SP)
Vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos‑RJ)
Deputado Osmar Terra (MDB‑RS)
Deputado Carlos Jordy (PSL‑RJ)
Político suspeito de disseminar fake news, Roberto Jefferson
Ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) do governo federal, Fábio Wajngarten
Assessor Especial para Assuntos Internacionais do Presidente da República, Filipe G. Martins
Médica participante do ‘gabinete paralelo’, Nise Yamaguchi
Ex-assessor da Presidência da República e participante do ‘gabinete paralelo’, Arthur Weintraub
Empresário e e participante do ‘gabinete paralelo’, Carlos Wizard
Empresário suspeito de disseminar fake news , Luciano Hang
Empresário suspeito de disseminar fake news, Otávio Fakhoury
Diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior
Biólogo e participante do ‘gabinete paralelo’, Paolo Zanotto
Médico e e participante do ‘gabinete paralelo’, Luciano Dias Azevedo
Presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Ribeiro
Blogueiro suspeito de disseminar fake news, Allan Lopes dos Santos
Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro
Ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias
Representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho
Representante da Davati no Brasil, Luiz Paulo Dominguetti
Sócio da empresa Precisa, Francisco Emerson Maximiano
Sócio da empresa Primarcial Holding e Participações Ltda e diretor de relações institucionais da Precisa, Danilo Trento
Advogado e sócio oculto da empresa FIB Bank, Marcos Tolentino da Silva
Intermediador nas tratativas da Davati, Rafael Alves
Intermediador nas tratativas da Davati, José Odilon Torres da Silveira Júnior
Ex-assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde e intermediador nas tratativas da Davati, Marcelo Blanco
Diretora-Executiva e responsável técnica farmacêutica da empresa Precisa, Emanuela Medrades
Consultor jurídico da empresa Precisa, Túlio Silveira
Ex-assessor especial do Ministério da Saúde, Airton Soligo
Editor do site bolsonarista Crítica Nacional suspeito de disseminar fake news, Paulo de Oliveira Eneas
Diretor do jornal Brasil Sem Medo, suspeito de disseminar fake news, Bernardo Kuster
Blogueiro suspeito de disseminar fake news, Oswaldo Eustáquio
Artista gráfico supeito de disseminar fake news, Richards Pozzer
Jornalista suspeito de disseminar fake news, Leandro Ruschel
Assessor Especial da Presidência da República, Técio Arnaud
Ex-presidente da Fundação Alexandre Gusmão (Funag), Roberto Goidanich
Sócio da empresa VTCLog, Raimundo Nonato Brasil
Diretora-executiva da empresa VTCLog, Andreia da Silva Lima
Sócio da empresa VTCLog, Carlos Alberto de Sá
Sócia da empresa VTCLog, Teresa Cristina Reis de Sá
Ex-secretário da Anvisa, José Ricardo Santana
Lobista Marconny Albernaz de Faria
Médica da Prevent Senior, Daniella Moreira da Silva
Médica da Prevent Senior, Paola Werneck
Médica da Prevent Senior, Carla Guerra
Médico da Prevent Senior, Rodrigo Esper
Médico da Prevent Senior, Fernando Oikawa
Médico da Prevent Senior, Daniel Garrido Baena
Médico da Prevent Senior, João Paulo F. Barros
Médica da Prevent Senior, Fernanda de Oliveira Igarashi
Sócio da Prevent Senior, Fernando Parrillo
Sócio da Prevent Senior, Eduardo Parrillo
Médico que fez estudo com proxalutamida, Flávio Cadegiani
Precisa Comercialização de Medicamentos Ltda
VTC Operadora Logística Ltda – VTCLog
médico e presidente do grupo Médicos pela Vida, Antônio Jordão de Oliveira Neto
Presidente do Instituto Força Brasil, Hélcio Bruno de Almeida
Governador do Amazonas, Wilson Miranda Lima
Secretário de Saúde do Amazonas. Marcellus José Barroso Campêlo
Ex-subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil e ex-coordenador Centro de Coordenação das Operações do Comitê de Crise da Covid-19, Heitor Freire de Abreu
Assessor do Ministério da Saúde, Marcelo Bento Pires
Ex-Coordenador de logística do Ministério da Saúde, Alex Lial Marinho
Assessor técnico do Ministério da Saúde, Thiago Fernandes da Costa
Fiscal de Contrato no Ministério da Saúde, Regina Célia Oliveira
Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Netto
Dono do grupo José Alves, do qual faz parte a Vitamedic, José Alves Filho
Representante da Senah, Amilton Gomes de Paula