Executivo do Facebook diz que usuários são os responsáveis pela circulação de desinformação

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Em entrevista ao programa ‘Axios na HBO’, Andrew Bosworth, futuro chefe de tecnologia da Meta, defendeu atuação do Facebook e Instagram no combate às informações falsas sobre Covid-19 e temas políticos. Facebook
REUTERS/Regis Duvignau/Illustration
Andrew Bosworth, vice-presidente de realidade virtual e aumentada do Facebook, defendeu atuação da empresa no combate à desinformação sobre Covid-19 e disse que são “os indivíduos que escolhem” acreditar ou compartilhar algum conteúdo, minimizando o impacto que as redes sociais têm na circulação de informações falsas.
A fala ocorreu em entrevista ao programa “Axios na HBO”, que foi ao ar no último domingo (12) no canal americano, onde foi questionado sobre a demora da empresa em enfrentar alguns problemas. No ano que vem, ele assumirá o cargo de chefe de tecnologia da Meta, empresa que controla o Facebook, o Instagram e o WhatsApp.
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“Não me sinto nada confortável em dizer que eles [os usuários] não têm voz porque não gosto do que eles disseram”, afirmou.
Perguntado sobre o possível impacto das plataformas de redes sociais na hesitação de algumas pessoas em se vacinar, ele defendeu o papel do Facebook afirmando que a empresa realizou “a maior campanha de vacinação para Covid” no mundo.
“O que mais você pode fazer se algumas pessoas vão pegar essa informação real, de uma fonte real e escolher não aceitá-la?”, questionou.
“Essa é a escolha deles. Eles estão autorizados a fazer isso. Você tem um problema com essas pessoas. Você não tem um problema com o Facebook. Você não pode colocar a culpa disso em mim”, afirmou.
Andrew Bosworth, vice-presidente de realidade virtual e aumentada do Facebook
Divulgação/Facebook
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O executivo disse que as pessoas escolhem se querem saber mais sobre essas informações ou confiar em informações menos confiáveis divulgadas por amigos e familiares.
“As pessoas querem essa informação”, continuou. “Não acredito que a resposta seja ‘eu negarei a essas pessoas as informações que elas buscam e farei valer minha vontade sobre elas'”.
Falas polêmicas
Essa não é a primeira fala polêmica de Bosworth. Em 2018, o site “Buzzfeed” divulgou um comunicado interno do Facebook escrito em 2016 pelo executivo. O memorando defendia as estratégias de crescimento da empresa, mesmo que isso talvez “custasse vidas”.
Bosworth, que foi um dos inventores do o feed de notícias do Facebook, tuitou na época que “não concordava” com o teor do texto quando o compartilhou, mas que o enviou para os funcionários da empresa para “fazer uma provocação”.
O Facebook é alvo constante de críticas de especialistas que apontam que os algoritmos da rede social foram projetados para manter as pessoas engajadas, mesmo que isso espalhe desinformação.
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Recentemente, Frances Haugen, uma ex-funcionária da empresa, vazou uma série de documentos que ficaram conhecidos como “Facebook Papers” e declarou que a companhia “coloca o lucro acima da segurança”.
Frances Haugen, ex-gerente do Facebook
Henry Nicholls/Reuters
“O Facebook percebeu que se mudar o algoritmo para ser mais seguro, as pessoas vão passar menos tempo no site, vão clicar em menos anúncios, e eles vão ganhar menos dinheiro”, disse Haugen ao Senado dos Estados Unidos.
“Eles sabem que classificações baseadas em algoritmos, ou classificações baseadas em engajamento, mantêm você em seus sites por mais tempo. Você tem sessões mais longas, aparece com mais frequência e isso lhes traz mais dinheiro”, completou.

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