Além do TikTok, Apple também virou pesadelo para o Facebook; entenda

Brasil abre 2022 com recordes de exportações e corrente de comércio
4 de fevereiro de 2022
Grupo dono do ‘Wall Street Journal’ diz ter sofrido ataque cibernético
4 de fevereiro de 2022


Recurso do iOS, sistema operacional do iPhone e do iPad, dificulta que a rede social colete dados dos usuários entre diferentes aplicativos e ofereça anúncios ‘personalizados’. Com atualização do sistema do iPhone, Facebook perdeu a capacidade de coletar dados de usuários
Stephen Lam/Reuters
Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook, apontou o TikTok como um dos responsáveis pelo impacto negativo nos negócios da rede social. Porém, a companhia também elegeu outra vilã para essa história: a Apple.
Desde abril de 2021, a fabricante do iPhone exibe uma caixinha que pergunta às pessoas se elas querem que suas atividades em um app sejam compartilhadas com outros aplicativos e sites – estratégia utilizada pelas plataformas de publicidade online para criar perfis dos usuários e direcionar os anúncios.
Como a venda de publicidade digital é a principal fonte de receitas do Facebook, essa função da Apple atingiu a eficiência da empresa no setor.
LEIA MAIS
ZUCKERBERG MAIS ‘POBRE’: fortuna do cofundador do Facebook despencou US$ 29 bilhões
PEDRA NO SAPATO: veja como o TikTok incomodou rede social e fez Instagram se ‘inspirar’ em recursos
A preocupação da rede social com esse recurso é tão grande que, antes mesmo de ela ser lançada oficialmente, o Facebook fez anúncios em grandes jornais dos EUA para criticar a Apple.
Na visão da rede social, a opção prejudica os negócios ao limitar a capacidade de segmentação de publicidade. Isso porque anúncios da web funcionam, em linhas gerais, assim:
Uma empresa cria uma campanha de publicidade e lista os públicos que ele gostaria que vissem se anúncio, com base no que ela acredita fazer sentido para o seu negócio. Elas pagam às plataformas de publicidade online, como Facebook e Google, pela quantidade de vezes que esse anúncio é visualizado e/ou clicado;
As plataformas, munidas de dados que desenham um perfil de interesses dos usuários, exibem os anúncios cruzando a intenção das empresas com os interesses das pessoas. É por isso que quando se pesquisa sobre carros na web, aumentam as chances de anúncios sobre automóveis aparecerem;
Se esse perfil de interesse está bem alinhado, os anúncios são exibidos para quem realmente tem interesse em determinado tema, diminuindo os custos relacionados com quantidade de vezes que uma publicidade precisa ser exibida e aumentando o retorno de cliques.
Sharyl Sandberg, vice-presidente de operações da Meta (dona do Facebook), comentou durante a apresentação dos resultados financeiros da companhia que “a Apple criou dois desafios para os anunciantes”.
“Um deles é que a exatidão de nossos anúncios direcionados diminuiu, o que aumentou o custo dos resultados. A outra é que a medição desses resultados se tornou mais difícil”, disse.
Dave Wehner, diretor financeiro da empresa, também teceu críticas à Apple ao responder perguntas de jornalistas. Segundo ele, a maneira como a fabricante do iPhone projetou as restrições de rastreamento facilita a vida dos navegadores web, enquanto prejudica os aplicativos.
“Isso significa que os anúncios de buscas poderiam ter acesso a muito mais dados de terceiros para fins de medição e otimização do que plataformas de anúncios baseados em aplicativos como a nossa”, disse Wehner, fazendo referência à coleta de dados que o Google consegue fazer no iOS por meio dos browsers.
“Como resultado, acreditamos que o negócio de anúncios de busca do Google pode ter se beneficiado em relação a serviços como o nosso que enfrentam um conjunto diferente de restrições da Apple”, continuou.
A Alphabet, dona do Google, teve receitas acima do esperado no último trimestre – e mais de 80% do total de dinheiro que entrou na empresa veio do negócio de publicidade.
A Apple segue irredutível sobre o recurso, que faz parte de uma estratégia da empresa de se posicionar a favor da privacidade das pessoas. De acordo com um levantamento da consultoria Flurry, que analisa o mercado de apps, 96% dos usuários nos Estados Unidos usaram o novo recurso e pediram aos apps para não rastrearem suas atividades.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *