No primeiro semestre de 2021, houve um aumento de 165% nos golpes em que a vítima é manipulada para fornecer informações pessoais. Já assaltos a agências tiveram queda de 98% em 21 anos, e ataques a caixas eletrônicos caíram 92,5% entre 2014 e 2021. Ataques virtuais a correntistas crescem enquanto caem assaltos a agências bancárias
A revolução que levou as operações bancárias para os computadores e para os celulares acabou produzindo uma outra migração. Numa espécie de efeito colateral, ladrões, fraudadores e estelionatários fizeram o mesmo caminho.
A frequência de cenas de assaltos a agências e explosão de caixas eletrônicos está diminuindo, segundo a Federação Brasileira de Bancos.
Um levantamento feito com as principais instituições financeiras do país mostra que o número de assaltos a bancos caiu 36% em 2021 em comparação com 2020. Em 21 anos, esse crime diminuiu 98%. Em 2021, os ataques a caixas eletrônicos também caíram, 38%. De 2014 a 2021, a queda chega a 92,5%.
A Febraban diz que isso reflete os investimentos em segurança, como câmeras, sensores de movimento e de temperatura e também o aumento das operações por canais digitais, como o PIX, o que reduz a necessidade de dinheiro em espécie.
Em 2021, quase 70% das transações bancárias foram feitas pela internet. Essa mudança fez com que bancos investissem mais em outro tipo proteção contra os ataques virtuais, com treinamentos e laboratórios de segurança cibernética.
“É natural que, com toda a parte, digitalização, menos dinheiro em circulação, menos notas, menos cédulas na economia e maior nível de transação digital, os assaltos a banco foram, aos poucos, diminuindo ao longo dos últimos 15 anos, e hoje praticamente é uma fração muito pequena. Então, o crime hoje praticamente se tornou digital”, explica o diretor de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Febraban, Leandro Vilain.
E as quadrilhas de hoje não atacam apenas empresas. O dado mais recente da Febraban, do primeiro semestre de 2021, mostra um aumento de 165% nos golpes em que a vítima é manipulada para fornecer informações pessoais.
A professora Suzete Vasques quase caiu no golpe quando recebeu uma ligação dizendo que o cartão dela tinha sido fraudado.
“Do jeito que foi, do jeito que ela fala, do jeito que eles montam, para não cair, é preciso que a pessoa esteja muito atenta. É preciso que ela preste atenção a algum detalhe, senão cai”, afirma.
André Fleury, diretor executivo de Segurança Cibernética da Accenture, especialista em combate a esse tipo de crime, faz um alerta:
“Você saber que o seu cartão de crédito, a sua senha do banco, é a chave do seu cofre, porque não está mais com dinheiro na carteira. O dinheiro está na sua conta bancária. Então, você tem que entender que esses dados você não pode divulgar para ninguém”, diz.