Sistemas da Saúde ainda não voltaram totalmente ao normal, quatro meses após ataque

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Muitas pessoas reclamam que doses que receberam da vacina contra Covid não aparecem no Conecte SUS. Ataque cibernético a dados do Ministério da Saúde faz mais de 4 meses
Ainda não se sabe quem provocou o ataque ao sistema de dados do Ministério da Saúde no fim do ano passado. Muitas pessoas estão reclamando que o serviço continua com problema.
Faz mais de quatro meses que os registros da principal arma contra o coronavírus estão defasados.
O professor de matemática João Pedro Pereira tomou vacina em dezembro em Brasília. Para o Ministério da Saúde, é como se ele estivesse com o esquema vacinal incompleto.
. Hackers que invadiram o ConecteSUS também atacaram sistemas de outros órgãos do governo
“Só aparece a dose que eu tomei em julho, só a primeira. A segunda dose não está aparecendo”, diz
A arquivista Kássia Ribeiro, de Maceió, está na mesma.
“Eu tomei a terceira dose no dia 21 de dezembro, e foi após o ataque hacker ao sistema do Ministério da Saúde. Até hoje não está disponível o registro no ConecteSUS”, conta.
O site do Ministério da Saúde e o aplicativo do ConecteSUS, que é a plataforma que mostra os comprovantes de vacinação contra a Covid, foram invadidos por hackers no dia 10 de dezembro.
A Polícia Federal e o Gabinete de Segurança Institucional assumiram a investigação do ataque. Milhões de brasileiros ficaram sem acesso aos dados de vacinação por 13 dias.
. Mais de quatro meses depois, inquérito sobre ataque hacker a órgãos federais ainda não foi concluído
A enfermeira Lenna Madureira, em Belém, demorou bem mais para atualizar o comprovante dela no ConecteSUS.
“Depois de quatro semanas, aproximadamente, eles resolveram o meu caso”, afirma.
O gerente de produtos Eduardo Manera, que mora em Barueri, na Grande São Paulo, tem as três doses no comprovante do estado. No do Ministério da Saúde, até hoje não aparece a dose de reforço.
“Eu trabalho com tecnologia, eu entendo que essas coisas acontecem. Porém, já são mais de quatro meses, e sem resolução”. diz.
Os sistemas do Ministério da Saúde ainda não voltaram totalmente ao normal. Antes do ataque, o DataSus oferecia 18 bases de dados para consulta sobre internações, doenças e vacinas. Por enquanto, só 13 estão disponíveis.
Marcelo Gomes, coordenador do Sistema Infogripe, da Fiocruz, diz que a falta de uma base de dados de saúde consolidada compromete a capacidade de acompanhar, por exemplo, a evolução da Covid.
“A gente fica com dado que fundamentalmente é impreciso, e isso tanto nos bancos de dados de vacinação quanto nos dados de internação. Porque também ali a gente precisa saber quem internou se estava vacinado ou não. Impacto porque a gente com essa informação incompleta, descasada, descolada da realidade, do que de fato está”, explica o coordenador do Sistema Infogripe da Fiocruz, Marcelo Gomes.
O Ministério da Saúde nega que haja problemas no serviço, diz que nenhum dado foi perdido e que segue apoiando as investigações. O Gabinete de Segurança Institucional declarou que não tem competência legal para investigar o tema. A Polícia Federal disse que não pode divulgar informações, para não comprometer o sigilo do caso.

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