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Patrimônio Cultural
“Olinda, quero cantar. A ti, esta canção. Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar. Faz vibrar meu coração. De amor a sonhar, minha Olinda sem igual. Salve o teu carnaval”. Seja por exposição direta ou indireta à folia nas ruas da cidade Patrimônio da Humanidade, boa parte dos pernambucanos conhece esse refrão de cor. Composta por Clídio Nigro e Clóvis Vieira da Cunha, o frevo “Olinda n⁰ 2″ é mais conhecido como o “Hino do Elefante de Olinda”. O tradicional clube, que completou sete décadas de vida em 2022, foi eleito Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2020.
Para seu João da Silva Trindade, 83 anos, presidente do Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda desde 2000, o reconhecimento representou uma grande conquista para a comunidade dos que fazem parte e amam a agremiação. “Se não fosse por ele, o clube já teria fechado”, diz.
Promovido pela Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o Registro do Patrimônio Vivo tem como principais objetivos o apoio financeiro e a preservação dos processos de criação e divulgação de técnicas, modos de fazer e saberes das culturas tradicional ou popular do Estado. Mestres, mestras e grupos culturais recebem uma bolsa mensal vitalícia – que pode chegar a R$ 3.200 – para manutenção das atividades.
A história do Clube Elefante de Olinda começa em 1950. No carnaval daquele ano, um grupo de foliões parou na residência de Dona Linda, na Rua do Bonfim, após uma turnê etílica por várias outras residências. Em cima da geladeira da casa, os rapazes avistaram por um biscuit em forma de um famoso animal com trombas e grande dimensão.
Não se sabe ao certo se a compreensão repentina de que aquele enfeite poderia servir como alegoria carnavalesca iluminou a mente de um só indivíduo ou de vários. O fato é que resolveram desfilar pelas ruas de Olinda com o pequeno elefante e assim também o fizeram no ano seguinte.
A ideia de transformar aquele momento inusitado em diversão levada a sério, como diria o saudoso Chico Science, foi oficializada em 12 de fevereiro de 1952 – data da fundação do clube – pelos amigos Élcio Siqueira, Walter Damasceno, Alrivelto Lopes, Caio Gomes, Expedito, Marcone Felizola e Cláudio Nigro, o Mirula, filho de Clídio.
Apesar de não ter participado da criação do clube, seu João Trindade diz que sempre acompanhou a brincadeira e faz questão de informar que o Elefante nunca deixou de desfilar no Carnaval de Olinda. Mas, infelizmente, por conta da pandemia da Covid-19, essa tradição foi quebrada nos anos de 2021 e 2022.
Ainda assim, a agremiação não deixou a data comemorativa dos 70 anos sem festa e realizou um “desfile virtual”, em seu canal no YouTube, com a participação do maestro Oséas, que aconteceu no dia 27 de fevereiro de 2022. Em suas redes sociais, o clube deixou um recado para quem acompanhou a apresentação:
“É na garra. É na teimosia. É como acontece desde 1952! O Elefante de Olinda fez o domingo de carnaval mais uma vez!