Projeto do Executivo muda regras de compartilhamento de dutos de transporte de combustíveis

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Meio ambiente e energia

O governo alega que as novas regras ampliam a competição no mercado de combustíveis, garantindo a redução de preços aos consumidores

24/08/2022 – 14:52  

Divulgação Transpetro

Mais de 12 mil km de dutos no País são operados pela Transpetro

O Projeto de Lei 2316/22, do Poder Executivo, faculta a qualquer interessado o acesso às instalações de movimentação de combustíveis, como oleodutos e terminais aquaviários, mediante pagamento ao proprietário.

Pelo texto, em tramitação na Câmara dos Deputados, os titulares dos dutos e terminais deverão divulgar a capacidade disponível para a contratação e viabilizar o acesso às suas instalações.

A proposta veda ainda o tratamento discriminatório e a imposição de barreiras injustificadas ao acesso de terceiros às instalações de movimentação de combustíveis, setor hoje dominado pela Transpetro, subsidiária da Petrobras.

O desrespeito a essas regras sujeita as empresas donas das instalações a sanções como multa (de até R$ 5 milhões) e extinção da autorização para a operação do duto ou terminal aquaviário.

Regra atual


Atualmente, a legislação já prevê o compartilhamento das instalações de transportes subutilizadas pelos seus proprietários, mas há dificuldades na aplicação efetiva do comando legal.

Isso ocorre, segundo o governo, porque as sanções aplicáveis pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) “não possuem a contundência necessária para provocar uma alteração no comportamento dos agentes envolvidos”.

A proposta, de acordo com o Executivo, fortalece a agência, que será dotada de instrumentos para coibir condutas em desacordo com as regras de acesso. O governo alega que as novas regras ampliam a competição no mercado de combustíveis, garantindo a redução de preços aos consumidores, e seguem recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU).

O texto em análise na Câmara altera pontos da Lei do Petróleo e da Lei do Abastecimento Nacional de Combustíveis.

Remuneração


Conforme o projeto, o acesso às instalações de transporte de petróleo e gás natural será negociado pelas partes. Caso não haja acordo em relação à remuneração, a ANP fixará o valor, com base em critérios previamente estabelecidos.

Os contratos negociados deverão conter obrigatoriamente, sob pena de multa, cláusula que previna o congestionamento contratual (quando a demanda excede a capacidade de transporte disponível).

O projeto do Executivo estabelece ainda que a movimentação dos combustíveis por dutos e terminais deverá ser feita por subsidiária de empresa do setor de petróleo e biocombustíveis, ou por empresa autorizada a operar essas instalações.

Tramitação


O projeto será distribuído às comissões da Câmara.

Reportagem – Janary Júnior

Edição – Natalia Doederlein

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