
Devo permitir ‘web namoro’ para meus filhos? Por quanto tempo podem navegar ou jogar? Como configurar a privacidade? Devo ter as senhas? Veja o que dizem especialistas e saiba como tentar evitar casos como os de meninas que sumiram no Rio após conhecer homens em plataformas on-line. Segurança das crianças na internet: veja perguntas e respostas sobre como protegê-las
Marcos Serra Lima/g1
Em menos de 15 dias, duas menores de idade saíram de casa, no Rio, para se encontrar com homens que conheceram em plataformas on-line, sem avisar à família.
Uma, de 12 anos, viajou de carro até São Luís do Maranhão e foi mantida presa numa quitinete, até ser libertada pela polícia. Outra, de 17 anos, passou o fim de semana longe de casa. Os casos são investigados.
O g1 reuniu 15 perguntas e respostas sobre como proteger crianças e adolescentes dos riscos na internet e nas redes sociais (veja abaixo).
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A reportagem ouviu especialistas e compilou informações do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Devo permitir webnamoro para meus filhos?
A que riscos meus filhos estão expostos na internet?
Por quanto tempo meus filhos podem navegar ou jogar?
Como configurar a privacidade na conta dos meus filhos?
Devo ter as senhas das contas dos meus filhos?
Como saber se meu filho é vítima de cyberbullying?
Posso criar e gerir um perfil para o meu filho?
Meus filhos já têm perfis em redes. O que posso postar nessas contas?
O que posso compartilhar dos meus filhos nas minhas redes?
Posso proibir meus filhos de navegar na internet?
Posso navegar junto com meu filho?
Como descobrir se há algum problema?
Onde é melhor instalar o computador dos meus filhos?
A que sinais devo atentar para tentar intervir?
Como controlar o que meus filhos acessam?
Segurança das crianças na internet: veja perguntas e respostas sobre como protegê-las
Marcos Serra Lima/g1
1. Devo permitir ‘web namoro’ para meus filhos?
Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio, explicou que, primeiro, “é importante pensar o momento em que é admissível para o adolescente ter a possibilidade de namorar on-line”.
“Esse momento de transição para a adolescência é complicado. Especialmente no início dessa trajetória, é importante as famílias estarem próximas, acompanharem e instruírem”, disse.
“Não é nenhuma regra tecnológica, é uma regra educacional, de construção de confiança.”
Lemos destacou que ferramentas de controle parental (leia mais sobre esses recursos abaixo) funcionam mais com crianças.
“À medida em que a pessoa vai chegando à adolescência, ela também vai desenvolvendo formas de contornar essas ferramentas. Então, melhor do que usar uma ferramenta é ter um diálogo aberto”, explicou.
Para Lemos, não se deve considerar “web namoro” um tabu. “Não é algo que não se deve conversar, porque é inevitável. A gente sabe que hoje uma parte muito grande dos relacionamentos se origina na internet, e vai ser cada vez mais assim. Então é supervisão e diálogo é o caminho correto.”
Existem meios de monitorar o celular dos filhos, mas esse seria o último caso. “O rastreamento total do dispositivo de um adolescente deve ser feito somente se houver suspeita e indícios de alguma situação perigosa, que afete a vida ou a integridade física”, disse.
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2. A que riscos meus filhos estão expostos na internet?
Arte: Luisa Rivas/g1
Ameaças anônimas: pessoas se escondem em perfis falsos para cometer crimes, como aliciamento, chantagem, pornografia infantil e sequestro.
Conteúdo nocivo: crianças podem acessar fake news, pornografia e violência — e nem sempre têm maturidade para filtrar o que veem.
Conteúdo para sempre: Tudo o que é publicado dificilmente será excluído. Uma postagem feita na infância poderá circular mesmo quando seus filhos já forem adultos.
Cyberbullying: as crianças podem ser vítimas de fotos, vídeos e mensagens difamatórias e humilhantes.
Danos a equipamentos: os dispositivos podem ser infectados por códigos maliciosos (malware), o que pode levar à perda de dados e ao acesso não autorizado a informações pessoais.
Fim da privacidade: a divulgação de informações pessoais pode ter desdobramentos e comprometer a família inteira.
Uso excessivo: a navegação sem limites afeta a saúde física e psicológica, atrapalhando o rendimento escolar e a vida social.
Virais imprevisíveis: fotos e vídeos postados ingenuamente podem viralizar e superexpor as crianças, para o bem e para o mal — tornando-se webcelebridades momentâneas ou serem ridicularizadas.
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3. Por quanto tempo meus filhos podem navegar ou jogar?
Arte: Luisa Rivas/g1
Desde os primeiros acessos, estabeleça limites claros de uso da internet, como após fazer a lição de casa, só nos finais de semana e algumas horas por dia.
Até 2 anos: evitar telas, ainda que passivamente — quando a criança fica diante de uma TV ligada.
Entre 2 e 5 anos: 1 hora por dia, com supervisão.
Entre 6 e 10 anos: até 2 horas por dia, com supervisão;
Entre 11 e 18 anos: até 3 horas por dia.
Para todas as idades: sem telas durante as refeições e desconectar pelo menos uma hora antes de dormir.
“Criança tem que brincar, subir no trepa-trepa, ir à praia. Mas veio a pandemia, e as crianças não podiam nem ver os avós. Tudo era feito pelas telas”, lembra o pediatra Eduardo Jorge.
“Há alternativas: cinema, teatro, livro.. os pais podem dar o exemplo, quando estiverem junto com os filhos, sem usar o celular durante as refeições”, orienta.
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4. Devo ter as senhas das contas dos meus filhos?
Arte: Luisa Rivas/g1
No início, as crianças necessitam de supervisão constante.
“O absoluto descontrole não é autorizado. Eles devem ter a senha e não permitir que os filhos usem tablets e laptops a que não tenham acesso”, afirmou o advogado Luiz Augusto D’Urso, especialista em crimes virtuais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A confiança deve ser conquistada aos poucos: deixar que seus filhos naveguem sozinhos é como ganhar uma cópia da chave da casa. No começo, os pais se recusam a entregá-la aos filhos, depois a entregam, mas com recomendações, até que, por final, compartilham.
Com o tempo e com orientações, elas passam a ter autonomia. Quando e como ocorre essa transição depende do comportamento de cada criança e família.
“Com criança, é totalmente admissível que os pais supervisionem tudo. Mas quando o adolescente tem 15, 16, 17, ele está construindo a sua maturidade, esses espaços têm que ser negociados. É um momento que os pais precisam avaliar o grau de maturidade dos filhos”, explicou Ronaldo Lemos.
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5. Como configurar a privacidade na conta dos meus filhos?
Arte: Luisa Rivas/g1
Informações pessoais, como endereço residencial e escola onde estudam, jamais devem ser compartilhadas;
Não aceitar desconhecidos ou não muito próximos como amigos;
As postagens devem ser restritas aos amigos, e não públicas. Para isso, “feche” os perfis ou limite quem pode ver os conteúdos.
“Os pais primeiro devem seguir as regras do aplicativo, que têm idade certa para uso. Se o filho não tem idade, tem que monitorar”, afirma o psicólogo Tiago da Silva Cabral.
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6. Como saber se meu filho é vítima de cyberbullying?
Arte: Luisa Rivas/g1
Vítimas de cyberbullying costumam apresentar sintomas como depressão, baixa autoestima, ansiedade, agressividade, medo e sentimentos negativos. Também costumam ter problemas de rendimento escolar e passam a evitar a escola.
Caso algum dos seus filhos venha a cometer cyberbullying, você, como representante legal, poderá ser responsabilizado. Ensine-os a não repassar ou criar conteúdos humilhantes sobre os colegas.
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7. Posso criar e gerir um perfil para o meu filho?
Arte: Luisa Rivas/g1
Melhor não. Especialistas pontuam que as crianças, no futuro, não necessariamente gostarão do que foi publicado em nome delas — principalmente opiniões. Mais tarde, será difícil diferenciar o que elas postaram daquilo que os pais colocaram. Além disso, algumas redes sociais têm idade mínima para criação de contas.
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Segurança das crianças na internet: veja perguntas e respostas sobre como protegê-las
Marcos Serra Lima/g1
8. Meus filhos já têm perfis em redes. O que posso postar nessas contas?
Arte: Luisa Rivas/g1
Tudo que é privado não precisa ser postado. A criança deve ter o direito de não querer ser exposta e de construir ela própria o seu espaço na internet. Não dê broncas nem os repreenda nesses espaços, dizem especialistas.
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9. O que posso compartilhar dos meus filhos nas minhas redes?
Arte: Luisa Rivas/g1
Um vídeo “bonitinho” para você pode ser considerado constrangedor para a criança — e ainda ser usado para a prática de bullying.
Fotos dos seus filhos nus ou seminus, tomando banho ou brincando na praia podem cair em redes de exploração sexual comercial.
Expor hábitos dos filhos (onde estudam, de quais cursos participam, locais que frequentam) pode colocá-los em risco de sequestro.
Existem também os “sequestradores digitais”, que usam informações reais de crianças para criar perfis falsos e interagir com outras pessoas. Em alguns casos, até comentam e compartilham fotos como se fossem eles os verdadeiros pais da criança.
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10. Posso proibir meus filhos de navegar na internet?
Arte: Luisa Rivas/g1
A medida é ineficaz, pois eles poderão fazer isso escondidos. Proibições geralmente geram conflitos e atrapalham o diálogo.
Converse sobre as possibilidades que a internet oferece e deixe que eles falem sobre as experiências deles.
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11. Posso navegar junto com meu filho?
Arte: Luisa Rivas/g1
Sim, é uma tarefa divertida e educativa. Tire dúvidas até para abrir um canal de diálogo. Ao mostrar-se interessado, será mais fácil descobrir se eles precisam de ajuda, se estão tendo algum problema ou se algo os está incomodando.
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12. Como descobrir se há algum problema?
Arte: Luisa Rivas/g1
Observe o comportamento dos seus filhos.
Procure estimulá-los a compartilhar com você as experiências desagradáveis que tiverem.
Monte cenários, cite problemas já ocorridos e comente casos que estão sendo noticiados. Isso os ajudará a entender os problemas e servirá como alerta para que não passem pelas mesmas situações ou para que saibam como reagir.
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13. Onde é melhor instalar o computador dos meus filhos?
Arte: Luisa Rivas/g1
Procure mantê-lo em um local onde, mesmo à distância, consiga observar seus filhos — como a sala.
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14. A que sinais devo atentar para tentar intervir?
Arte: Luisa Rivas/g1
Atitudes como minimizar ou fechar aplicativos, trancar a porta do quarto, bloquear o celular ou tablet e ficar nervoso quando você está por perto podem indicar que seus filhos estão tentando esconder algo.
Esse é o momento para tentar conversar e entender o que está ocorrendo. Converse e ouça antes de julgar, para que eles não tenham medo de relatar algum incômodo.
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15. Como controlar o que meus filhos acessam?
Arte: Luisa Rivas/g1
O Controle Parental (ou Controle dos Pais) é um conjunto de recursos de segurança disponível em diversos sistemas operacionais, sites e equipamentos, como roteadores e consoles de jogos.
As ferramentas devem ser usadas como uma proteção adicional, já que podem apresentar falhas e não funcionarem em todos os dispositivos e locais onde as crianças acessam a internet, como a escola ou a casa dos amigos.
Sites de pesquisa: permitem definir filtros de acordo com a classificação etária do conteúdo.
Sistemas operacionais: permitem restringir os sites que as crianças podem (ou não podem) acessar, os aplicativos que elas podem executar, com quem elas podem se comunicar e definir limites de tempo, como horário de dormir e regras específicas para dias úteis e finais de semana. Também impedem a troca de senha e mostram o histórico de atividades, incluindo sites visitados e aplicativos usados.
Lojas do sistema operacional: permitem definir o nível de classificação (livre ou por idade) para os aplicativos que as crianças podem comprar, baixar e instalar ou ainda para os filmes que elas podem assistir e livros que podem ler.
Usuários e perfis restritos: permitem criar tipos especiais de contas nas quais as atividades são restritas e supervisionadas.
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