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Secretaria de Cultura
Polo histórico da cultura popular pernambucana, a Praça da Várzea, na Zona Leste do Recife, foi palco de novas escutas da Secult-PE neste sábado (27). A Roda de Conversa aconteceu no Espaço Agroecológico da Várzea – que ocorre toda semana, há cinco anos –, com participação do secretário estadual de Cultura, Silvério Pessoa.
No bate-papo, Silvério falou sobre o tema O Espaço da Cultura Popular no Currículo Escolar e escutou o público presente sobre questões como articulação entre cultura e educação, o uso da tecnologia a favor da cultura popular, ideias para transformar o Casarão da Várzea (antigo Hospital Magitot) em espaço cultural, articulação das comunidades e desburocratização do acesso aos editais de fomento cultural, entre outros assuntos e propostas.
As atividades culturais no Espaço Agroecológico da Várzea começaram por volta das 8h com uma iniciativa singular e ao mesmo tempo simbólica: a apresentação do violinista e violonista Max Antonio, conhecido como o “Menino do Violino”. “Max chegou chegando”, observou o professor de psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Benedito Medrado. “Viu que aqui é um espaço acolhedor e chegou.”
A mediação da conversa ficou por conta do também professor Drance Elias, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), que introduziu a participação do convidado.
Em sua apresentação, Silvério falou da dificuldade, nos dias atuais, que existe para dar continuidade às brincadeiras da cultura popular, porque a cosmovisão costuma levar os jovens apenas para o mundo da tecnologia, simbolizado pelo uso constante dos smartphones. “É uma reflexão”, provocou. “Os atrativos do mundo da tecnologia seduzem.”
Ainda para o secretário, uma das maneiras de salvaguardar a territorialidade e ancestralidade e manter ou despertar o interesse de crianças e adolescentes na cultura popular é encontrar um espaço para essa tradição nas escolas, abrindo-as nos fins semanas, levando as manifestações populares e os mestres e as mestras para o ambiente colegial.
Após a apresentação, o microfone foi aberto para a participação do público. Para a estudante de serviço social Sheyla Fernandes, integrante da extinta Comissão Folclórica da Várzea, os atores da cultura popular precisam ser mais valorizados. “E essa política nas escolas não pode ser pontual. Tem que ser do cotidiano”, salientou.
“A educação de arte nas escolas foi engessada”, pontuou Drance. “A educação de arte tem que ser não só para a cultura, mas para as crianças aprenderem a ter sensibilidade”, acrescentou.
Ainda sobre o tema, Silvério afirmou que o ensino de cultura popular precisa fazer parte do currículo escolar, porque assim ganha legitimidade. “O ensino de arte está lá na BNCC (Base Nacional Comum Curricular)”, lembrou. “E precisa emocionar. Não existe educação sem emoção. Educação tem que ter emoção.”
Além do tema central da Roda de Conversa, outras questões foram abordadas por mais de duas horas, como a necessidade de maior atenção para a literatura popular; a articulação entre as pastas da educação e da cultura nas esferas governamentais; a articulação dos espaços agroecológicos em formato de circuito; a transformação do Casarão da Várzea (antigo Hospital Magitot) em espaço cultural; a articulação das comunidades da periferia; e a desburocratização do acesso aos editais de fomento cultural.
No fim do encontro, Silvério foi convidado a dar uma palhinha com o violão de Max Antonio e interpretou a canção “Nas Terras da Gente”, de sua autoria.