

Em uma decisão histórica, a população da Austrália rejeitou uma proposta para dar mais direitos e poderes aos povos indígenas do país em um plebiscito realizado neste sábado (14/10). Em todos os seis estados, a maioria votou contra a proposta de alterar a Constituição, que teria reconhecido os cidadãos indígenas e estabelecido um órgão consultivo formado por aborígenes para aconselhar o governo sobre questões relacionadas aos povos indígenas.
O plebiscito, apelidado de “Voice”, foi o primeiro na Austrália em mais de um quarto de século. Com quase 70% dos votos contabilizados, o “Não” venceu com 60%, enquanto o “Sim” obteve 40%. A campanha foi marcada por tensões, com apoiadores do “Voice” argumentando que a medida uniria o país e melhoraria as condições de vida dos povos indígenas, que enfrentam desafios significativos em termos de saúde, educação e expectativa de vida.

O primeiro-ministro Anthony Albanese, que apoiava o projeto, lamentou a derrota, enquanto o líder da oposição, Peter Dutton, considerou o resultado positivo para o país. A proposta do “Voice” surgiu a partir da Declaração do Coração de Uluru, um documento de 2017 elaborado por líderes indígenas, e buscava um caminho para a reconciliação com a Austrália. Apesar da derrota, os defensores do “Voice” afirmam que continuarão sua luta por direitos e reconhecimento.
O resultado do plebiscito deixa o primeiro-ministro Albanese buscando um novo rumo para sua visão do país, enquanto a oposição provavelmente capitalizará a vitória. O debate sobre o reconhecimento indígena na Austrália continua, e o país agora enfrenta um período de reflexão e unidade nacional enquanto avalia o significado deste resultado histórico.
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