

Voluntários da Zaka: Uma Jornada de Compaixão e Dignidade em Meio à Tragédia
Tel Aviv, Israel – Por trás dos portões altos e cercados de arame farpado de uma base militar no centro de Israel, centenas de corpos das vítimas do recente ataque do Hamas estão sendo tratados com cuidado e respeito. Sob os holofotes brilhantes e ao lado de soldados, policiais e especialistas forenses, um grupo de voluntários, facilmente identificável por seus coletes amarelos brilhantes, realiza uma tarefa inimaginável para a maioria de nós: coletar os restos mortais das vítimas para um enterro digno.
Este grupo é a Zaka, uma organização religiosa judaica formada principalmente por voluntários ultraortodoxos. Desde o início do ataque, eles trabalham incansavelmente, enfrentando condições difíceis e cenas terríveis, para garantir que todos os restos mortais, incluindo sangue, sejam recolhidos. Seu objetivo é assegurar que as vítimas sejam enterradas de acordo com a lei religiosa judaica, que exige que todos os restos mortais disponíveis sejam enterrados juntos.

O trabalho da Zaka é de uma importância imensurável para a comunidade judaica. Em eventos traumáticos como esse, eles são chamados para agir, incluindo desastres naturais, suicídios e ataques extremistas. Durante o ataque do Hamas, eles se depararam com cenas que desafiam a compreensão humana: crianças carbonizadas, corpos despedaçados devido a explosões de granadas e famílias inteiras assassinadas.
O voluntário Baroch Frankel, de 28 anos, compartilhou sua experiência dolorosa de encontrar membros de uma família mortos em um kibutz atacado pelo Hamas. Ele descreveu a visão como algo que “quebra um ser humano”. Para os voluntários, lidar com os restos mortais das vítimas, especialmente em momentos de violência, é uma tarefa que desafia até mesmo as pessoas mais corajosas.

Apesar do horror, os voluntários da Zaka trabalham incansavelmente para preservar a dignidade dos mortos. Cada corpo é tratado com o máximo respeito e cuidado. Os voluntários fazem uma pausa a cada 15 minutos para orar pelas vítimas, um gesto que reflete sua devoção ao serviço e à humanidade.
O processo final de limpeza é conduzido com meticulosidade, utilizando água de um rio local e algodão para limpar os corpos. Após essa etapa, os voluntários embrulham os restos mortais em lençóis de linho branco antes de entregá-los aos agentes funerários. Esta prática é realizada para permitir que as almas dos mortos escapem e para que suas famílias possam começar a lidar com a dor.

Apesar do sofrimento e do cansaço, esses voluntários da Zaka continuam seu trabalho sagrado, demonstrando uma compaixão e dignidade notáveis em meio à tragédia. Suas ações falam não apenas de coragem, mas também de um profundo senso de dever para com sua comunidade e para com a humanidade como um todo.
Fotos: JOEL GUNTER