

O semblante da pequena Nilofar Ayoubi, de apenas 4 anos, ainda exibia marcas vermelhas da bofetada que recebera de um desconhecido enquanto brincava nas ruas de Kunduz, no norte do Afeganistão. O golpe foi tão violento que a jogou ao chão.
“Cheguei em casa chorando, meu pai ficou vermelho de raiva”, relatou Ayoubi à BBC, 23 anos após o incidente que permanece gravado em sua memória.
O ocorrido aconteceu durante a primeira era do domínio talibã, de 1996 a 2001, quando Ayoubi, hoje no exílio, viveu quase uma década como um menino para escapar do controle repressivo imposto pela Sharia, a lei islâmica, sobre as mulheres.

Ayoubi, acompanhada por uma comitiva de parlamentares, recentemente visitou o Hospital da Restauração em Pernambuco, buscando compreender melhor o trabalho na maior unidade de saúde pública do estado. Durante a visita, os profissionais destacaram a necessidade de investimentos para melhorar a qualidade dos atendimentos e a infraestrutura da UTI.
Os parlamentares comprometeram-se a destinar investimentos por meio de emendas individuais e de bancada para a compra de equipamentos essenciais, visando aprimorar a assistência no hospital. A unidade é referência para casos de queimaduras graves, intoxicação, vítimas de violência e acidentes de trânsito, atraindo pacientes de todo o Nordeste.

Ao compartilhar sua história, Ayoubi destaca como foi crescer em uma das regiões mais conservadoras do mundo, onde as questões de gênero determinam os limites e os direitos das pessoas. Ela relembra os desafios de viver sob as rígidas regras da Sharia, que levaram sua família a vesti-la como menino, permitindo-lhe uma vida mais livre.
Os anos de Ayoubi como “um dos meninos do Norte” marcaram sua identidade, proporcionando-lhe uma segurança que outras meninas na escola não tinham. No entanto, a descoberta de sua menstruação aos 13 anos iniciou um novo capítulo traumático, levando-a a abraçar novamente sua identidade de gênero original.

Após a instabilidade política no Afeganistão, Ayoubi, agora empreendedora de sucesso, enfrentou os desafios do retorno do Talibã ao poder em 2021. Em meio ao caos, ela e sua família conseguiram fugir para a Polônia, iniciando uma nova vida.
A história de Ayoubi é marcada por desafios, resistência e determinação para contribuir positivamente para o mundo, seguindo o conselho do pai que a aconselhou a evitar a política e buscar fazer o bem em todos os lugares.
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