

Pai Luta Incansavelmente pela Justiça: A Saga do “Caso Terter” no Azerbaijão
Em uma reviravolta trágica no dia 15 de janeiro de 2018, Nasir Aliyev e seu filho, Emil, abandonaram as festividades de aniversário para embarcar em uma jornada para Baku, a capital do Azerbaijão. O motivo? Um telefonema da Procuradoria-Geral intimou Emil a prestar depoimento sobre seu serviço militar em 2011, levando-o a ser detido e acusado de espionar para a Armênia, um país em conflito com o Azerbaijão há mais de três décadas.
Nasir, testemunhando a detenção de seu filho, sentiu-se compelido a lutar pela verdade, enfrentando a acusação de traição que pairava sobre Emil. O episódio ficou conhecido como “Caso Terter” no Azerbaijão, marcando um capítulo sombrio na história do país.

O pesadelo começou nove meses antes da prisão de Emil, quando as autoridades azeris anunciaram a descoberta de uma suposta rede de espiões armênios no Exército do Azerbaijão. O que se seguiu foi uma série de prisões e torturas, envolvendo a violação dos direitos humanos em uma escala sem precedentes. Mais de 400 pessoas foram oficialmente reconhecidas como vítimas de tortura em massa, com ativistas dos direitos humanos alegando que pelo menos 11 perderam a vida devido às práticas desumanas.
Enquanto Nasir buscava incansavelmente evidências da inocência de seu filho, deparou-se com obstáculos, pois o tribunal mantinha o processo em sigilo. Emil foi condenado em junho de 2018 a 12 anos de prisão por alta traição, apesar de Nasir ter descoberto inconsistências nos documentos judiciais.

Determinado a não desistir, Nasir vendeu suas terras, mudou-se para Baku com sua família e fundou o Comitê contra a Repressão e a Tortura em colaboração com o ativista dos direitos humanos Oktay Gyulalyev. Juntos, enfrentaram desafios e ameaças, enfrentando o medo generalizado no país.

O “Caso Terter” permaneceu obscuro até 2019, quando Valida Akhmedova, cujo filho morreu sob tortura na prisão, entregou a Nasir os documentos que revelavam a brutalidade infligida a 101 vítimas. Essa evidência foi crucial para galvanizar a busca por justiça.

Em setembro de 2022, a revisão dos casos levou à libertação de 10 das 19 pessoas condenadas por traição, incluindo Emil Aliyev. Enquanto algumas vítimas foram libertadas, 11 ainda permanecem detidas, mantendo viva a luta por indenização e responsabilização dos perpetradores.

Nasir, agora vice-diretor do Centro de Pesquisa da Tortura, continua a liderar a batalha pelo esclarecimento total do “Caso Terter”, rejeitando retornar à sua cidade natal até que a justiça seja plenamente alcançada. Sua perseverança incansável personifica a busca pela verdade e pela justiça em meio à adversidade.
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