

A estratégia de algumas lojas durante o período promocional era clara: baixar os preços para atrair mais clientes, aproveitando o aumento esperado na frequência de compradores. Por outro lado, algumas lojas adotaram uma abordagem mais discreta, superestimando os valores de seus produtos para criar a ilusão de descontos mais significativos quando comparadas com a concorrência em novembro.
A publicidade enfatizava a ideia de grandes lucros nas compras, instigando os consumidores a agirem com rapidez, alegando que os estoques estavam se esgotando. A pressa, normalmente considerada inimiga da perfeição, tornava-se uma aliada para os vendedores. Se o engano não fosse muito grande, todos saíam ganhando, pois a felicidade, segundo a propaganda, não tem preço. Os comerciantes conseguiram desovar suas unidades estocadas, lucrando na quantidade.
Embora o ganho real dos consumidores fosse menor do que imaginavam, a fantasia e a sensação de aproveitar grandes descontos compensavam essa diferença. A propaganda, ao criar a ilusão de inteligência financeira e ganhos significativos, valorizava o negócio. A imaginação, nesse contexto, valia mais do que a realidade.

Novembro transformou-se em um mês de promoções diárias, estendendo-se à Black Friday e antecipando-se a outubro. A euforia de comprar a preços mais baixos era o adubo especial que alimentava essa “planta invasora” de ofertas. Um exemplo curioso envolveu um octogenário que, munido de algumas moedas, foi abordado por uma vendedora no estacionamento do shopping, oferecendo um produto com 70% de desconto.
A interação entre o idoso e a vendedora, que prometia uma oferta especial em seu carro, gerou um momento cômico. A esposa, desconfiada, interveio, imaginando um produto misterioso. A revelação, no entanto, era mais simples: um jogo de panelas que não engorduravam. O diálogo entre o idoso, sua esposa e a vendedora, envolvendo descontos e preços exorbitantes, proporcionou um toque humorístico ao episódio, culminando com o entusiasmo das pessoas ao redor, clamando “viva o Black Friday” e querendo ver as panelas. A cena encerrou-se com o grito humorístico: “Vai vender barato assim no inferno!”
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