

A cidade murada de Kowloon, localizada em Hong Kong, foi demolida há 30 anos, marcando o fim de um modo de vida único na região. Essa pequena área de 2,7 hectares, deixada como enclave chinês em uma colônia britânica, tornou-se um dos lugares mais densamente povoados do mundo devido a uma lacuna legal que a mantinha fora do controle efetivo.

A história da cidade murada remonta à dinastia Song, quando foi estabelecido um posto militar para gerenciar o comércio de sal na região. Apesar da ilha de Hong Kong ter sido cedida aos britânicos em 1842, a cidade murada permaneceu sob controle chinês. Sem uma autoridade clara responsável por ela, a cidade murada cresceu descontroladamente ao longo do tempo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade murada se tornou um refúgio para imigrantes e grupos ilegais que buscavam escapar da ocupação japonesa de Hong Kong. Após a guerra, a população da cidade murada cresceu rapidamente, atingindo entre 35 mil e 50 mil pessoas nos anos 80.

A falta de controle efetivo permitiu o florescimento de atividades ilegais, incluindo criminalidade, prostituição, consumo de drogas, fábricas de produtos falsificados e negócios não regulamentados. A cidade murada era um lugar único, caracterizado por uma densidade populacional extrema e uma mistura eclética de atividades.

A demolição da cidade murada começou em março de 1993, em antecipação à devolução de Hong Kong à China em 1997. Atualmente, a área abriga um parque público memorial com um lago. A demolição marcou o fim de uma era, mas as memórias dos moradores sobre a vida na cidade murada persistem, destacando a complexa interação entre comunidade, desafios e um modo de vida único.
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