Egito: Capital no Deserto Militar

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O processo eleitoral no Egito teve início neste domingo (10/12) e se estenderá até terça-feira (12/12). O presidente atual, apesar do declínio econômico acelerado e das críticas de parceiros ocidentais e grupos de direitos humanos à sua abordagem autoritária, permanece como o favorito.

Enquanto uma nova capital administrativa está sendo construída cerca de 45 km a leste do Cairo, com um custo estimado de 50 bilhões de dólares e ainda não concluída, o resto do país enfrenta desafios significativos. A inflação atingiu níveis recordes em setembro deste ano, acompanhada pelo crescimento das taxas de pobreza, a desvalorização da moeda local e um controle crescente sobre a imprensa, redes sociais e protestos populares.

O cenário atual contrasta com o período pós-Primavera Árabe, em 2011, quando a renúncia de Hosni Mubarak ocorreu. Desde então, o Egito passou por diferentes fases políticas, incluindo a ascensão da Irmandade Muçulmana e a subsequente tomada de poder pelo general Al-Sisi por meio de um golpe militar em 2013.

Embora as eleições lideradas por Al-Sisi em 2014 tenham sido criticadas por observadores internacionais, ele permaneceu no poder e agora busca um terceiro mandato, apesar das limitações previstas na Constituição. O governo de Al-Sisi tem sido caracterizado por práticas autoritárias, com repressão a opositores políticos, controle rigoroso sobre as liberdades civis e a proibição da Irmandade Muçulmana.

A crise econômica, agravada pela pandemia de COVID-19 e a guerra na Ucrânia, levou o país a enfrentar recordes de inflação, desemprego crescente e apagões frequentes. Mesmo diante desses desafios, a construção da Nova Capital Administrativa continua, sendo considerada tanto uma necessidade para aliviar a superlotação e poluição no Cairo quanto uma ferramenta de propaganda pré-eleitoral.

As eleições, originalmente programadas para 2024, foram antecipadas, possivelmente para garantir a reeleição de Al-Sisi antes da implementação de medidas econômicas rigorosas. Com um cenário político dominado por um regime autoritário, as perspectivas de uma verdadeira democracia e oposição política eficaz no Egito permanecem desafiadoras.

Fotos: Divulgação

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