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O economista libertário Javier Milei assumirá a presidência argentina neste domingo (10/12) em uma cerimônia marcada pela ausência do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, alvo de críticas intensas durante a campanha de Milei. Embora o argentino tenha adotado um tom mais ameno em relação ao petista após a eleição, o governo brasileiro será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em um gesto incomum, dada a relevância da relação bilateral.

A cerimônia contará com a presença de uma comitiva da direita brasileira, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que se declarou admirador de Milei. Ambos se encontraram em Buenos Aires na sexta-feira. A vitória de Milei nas urnas tem sido comparada à eleição de Bolsonaro em 2018, ambos destacando-se como líderes controversos do campo conservador, com propostas radicais e uma postura “antissistema”.

No entanto, analistas políticos alertam que a eleição de Milei não deve ser interpretada apenas como uma repetição da política brasileira de cinco anos antes. Em vez disso, ela levanta reflexões sobre os desafios enfrentados pelo governo Lula e pelo campo bolsonarista. A dificuldade dos governos em se manter no poder na América Latina é evidenciada, com a maioria das disputas presidenciais nos últimos cinco anos sendo vencida pela oposição.

A vitória de Milei também é vista como um risco para a direita, dado o tamanho da crise econômica argentina e a complexidade de suas propostas, incluindo a ideia de dolarizar a economia e acabar com o Banco Central. O diretor do instituto de pesquisas Quaest, Felipe Nunes, destaca a mensagem que a eleição argentina envia ao Palácio do Planalto sobre a dificuldade dos governos na América Latina em se manterem no poder.

Nunes também destaca que a vitória de Milei pode representar um desafio adicional para Lula, dada a resiliência do campo bolsonarista no Brasil. A polarização política intensa no país pode dificultar a ampliação da base de apoio de Lula, especialmente entre grupos que apoiam Bolsonaro, como o eleitorado evangélico, o segmento ruralista e os bolsonaristas mais radicais.

Embora a vitória de Milei tenha gerado entusiasmo no campo bolsonarista, há preocupações sobre a viabilidade de suas propostas radicais, como o fim do Banco Central e a dolarização da economia. O professor de Relações Internacionais da UFMG, Dawisson Belém Lopes, vê o risco de o governo de Milei ter resultados negativos, afastando parte do eleitor brasileiro da ultradireita.

A cientista política Talita São Thiago Tanscheit destaca a consolidação das forças de ultradireita na América Latina, indicando que a eleição de Milei representa um exemplo disso. Ela ressalta a ascensão da ultradireita em diversos países da região, marcada pela desconfiança nas instituições políticas e na democracia. A polarização política e a crescente insatisfação com os governos têm sido tendências dominantes, com implicações significativas para o cenário político futuro na América Latina.

Fotos: Divulgação

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