

No contexto do aumento dos investimentos imobiliários em Miami, moradores do bairro de Little Haiti, situado em uma altitude mais elevada, expressam preocupações com o aumento dos aluguéis, o que os leva a deixar suas residências. Enquanto os incorporadores focam em áreas mais distantes da costa, comunidades como Little Haiti enfrentam gentrificação devido à crescente demanda por espaços “mais seguros” contra inundações e mudanças climáticas.

Little Haiti, a cerca de 8 km da luxuosa Miami Beach, é conhecida por sua rica cultura caribenha e história como refúgio para comunidades pobres e diversas, resultado de leis de segregação racial e reassentamentos forçados no passado. No entanto, a proximidade com bairros mais modernos e descolados tem despertado o interesse de construtores, desencadeando um aumento nos preços dos aluguéis e levando alguns moradores a se mudarem para outras partes do país.

O empresário Tony Cho, envolvido no projeto Magic City, destaca que a localização mais elevada de Little Haiti a torna atraente para investidores, especialmente diante das preocupações crescentes sobre o aumento do nível do mar. Essa preocupação, no entanto, é percebida por alguns como uma forma de “gentrificação climática”, na qual comunidades mais ricas deslocam moradores de baixa renda de áreas mais preparadas para lidar com os impactos das mudanças climáticas.

Renita Holmes, ativista do setor habitacional em Little Haiti, destaca os desafios enfrentados pela comunidade, incluindo aumento do custo de vida, falta de drenagem e problemas de umidade. Ela destaca a necessidade de resistir à gentrificação e preservar a identidade única do bairro. Enquanto alguns projetos, como o Magic City, destinam fundos para moradias de baixo custo, muitos moradores ainda resistem aos planos de construção de arranha-céus em uma área onde a maioria das construções tem no máximo dois andares.
Fotos: Divulgação