

Rompimento da Mina 18 em Maceió Pode Desencadear Consequências Incertas
No último domingo (10/12), a mina 18, situada no bairro do Mutange, em Maceió, rompeu parcialmente, iniciando um processo cujas implicações permanecem nebulosas. A Defesa Civil da capital alagoana confirmou o evento, alertando para possíveis desdobramentos.
De acordo com a engenheira geóloga Regla Toujaguez La Rosa Massahud, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o rompimento sinaliza o início de um possível colapso, embora seja difícil prever o momento exato. A especialista esclarece que a parte superior da mina precisa se romper completamente, conforme evidenciado nos vídeos divulgados, antes que o colapso se concretize.
“A chuva recente pode ter aumentado o peso na área, contribuindo para o rompimento. Contudo, acredito que as minas adjacentes não serão afetadas, pois já estão preenchidas. A probabilidade é de que o impacto permaneça localizado, sem envolver áreas habitadas, o que é uma sorte”, complementa Massahud.

A professora já havia alertado anteriormente à BBC News Brasil sobre a possibilidade de colapso em uma das 35 minas da Braskem em Maceió.
Dilson Ferreira, professor de Arquitetura e Urbanismo da Ufal e coordenador técnico do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), destaca três cenários possíveis. O primeiro, considerado menos impactante, envolve o solo se acomodando sem grandes consequências, dado o isolamento da área.
Os cenários dois e três, por outro lado, apresentam desafios significativos. No caso de colapso, há o risco de formação de um grande buraco, conhecido como dolinamento, com a possibilidade de reações em cadeia, afetando outras minas e exigindo realocação de mais pessoas.

Além das implicações imediatas, a salinização da água pode devastar o ecossistema local, prejudicando mangues e afetando a subsistência de comunidades ribeirinhas. A bióloga Nídia Fabré destaca a perda de hábitats e o impacto global na captura de carbono.
O aumento do valor do metro quadrado em Maceió e cidades vizinhas também é previsto, continuando a tendência iniciada em 2018 com os problemas nos cinco bairros. A professora de Economia da Ufal, Natallya Levino, atribui esse fenômeno ao aumento da demanda e aos elevados preços dos aluguéis, impulsionados pelas indenizações recebidas pela população.
Em uma live nas redes sociais, o coordenador da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre, assegurou que o risco de rompimento não deve se ampliar, indicando um cenário de estabilização. A Braskem informou que colabora com as autoridades e que movimentos atípicos foram registrados por câmeras no domingo. O monitoramento permanece ativo.
Fotos: Divulgação