

Uma cidade paulista dribla a crise da dengue com inovação e ação proativa
Enquanto o Brasil enfrenta uma explosão de casos de dengue, com regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país particularmente afetadas, uma cidade do interior de São Paulo, Santa Rosa do Viterbo, contraria essa tendência com relativa tranquilidade. O município, com pouco mais de 26,7 mil habitantes, registrou apenas 12 casos da doença neste ano, sem nenhuma morte relacionada.
Essa conquista é resultado de uma nova estratégia de combate à dengue adotada pela cidade, onde armadilhas conhecidas como “mosquitrap” foram espalhadas no ano passado. Estas armadilhas imitam criadouros de mosquitos e contêm água com um composto químico inodoro e não tóxico para humanos, que atrai o Aedes aegypti. Quando os mosquitos entram para depositar ovos, ficam presos em um cartão adesivo dentro da armadilha.

O diferencial do método utilizado em Santa Rosa do Viterbo é a análise sistemática dos mosquitos capturados. Uma vez por semana, agentes de saúde coletam os insetos, enviando os cartões adesivos a um laboratório particular para análise de DNA e RNA, visando identificar a presença do vírus da dengue e de outras doenças como zika e chikungunya. Quando um mosquito infectado é detectado, um mutirão de limpeza e pulverização é realizado em um raio de 200 metros da área onde o mosquito foi capturado.
Essa abordagem proativa tem se mostrado eficaz. Em 2023, após a implementação das armadilhas, Santa Rosa do Viterbo registrou uma redução significativa no número de casos de dengue, passando de 399 casos em 2022 para 148 casos. Esses resultados positivos são alcançados a um custo relativamente baixo para a cidade. O investimento total na compra e manutenção das armadilhas foi de R$ 99 mil no ano passado, com um custo adicional de R$ 7,5 mil por mês para a manutenção contínua do equipamento e análise laboratorial.

A eficácia das armadilhas em cidades menores como Santa Rosa do Viterbo destaca-se pela menor necessidade de unidades e de agentes de saúde para a coleta e análise dos mosquitos. No entanto, especialistas alertam que em cidades maiores, a implementação em larga escala poderia ser inviável devido aos altos custos e à rápida propagação do vírus.
A experiência bem-sucedida de Santa Rosa do Viterbo oferece uma perspectiva promissora no combate à dengue, destacando a importância da inovação e da ação proativa na proteção da saúde pública.
Fotos: Divulgação