

Ondas de Aterramento de Praias: Vantagens, Riscos e Impactos
O litoral brasileiro está passando por uma onda de obras de aterramento de praias, e o Recife é a mais recente cidade a anunciar planos nesse sentido. Segundo especialistas, essas intervenções, conhecidas como engordas, apresentam vantagens, mas requerem estudos rigorosos para evitar danos ao meio ambiente.
Desde os anos 1960, com registros em Copacabana, no Rio de Janeiro, e nos anos 1970 no Espírito Santo, até os dias atuais, pelo menos 38,8 km de praias foram artificialmente ampliadas no Brasil, conforme levantamento do g1. Cidades litorâneas em diversas regiões recorreram a essas obras para combater a erosão costeira e o avanço do mar, buscando garantir espaços para o turismo e proteger a infraestrutura urbana.

O Recife, por exemplo, anunciou recentemente uma licitação para estudo e projeto de prolongamento da faixa de areia da orla. Outras cidades como Jaboatão dos Guararapes, Natal, Balneário Piçarras, Florianópolis, Matinhos e outras também estão ou estiveram envolvidas em projetos desse tipo.
A engorda, que envolve a retirada de areia do fundo do mar (dragagem) e sua colocação na costa para alargar a faixa de areia, é considerada uma alternativa positiva e sustentável para conter a erosão e permitir a ocupação da costa. No entanto, ela também apresenta riscos e impactos ambientais significativos.

O Brasil já perdeu cerca de 15% ou 70 mil hectares de dunas, praias e areais entre 1985 e 2020 devido a diversos fatores, incluindo ações humanas como ocupação desordenada, revegetação do topo das dunas, entre outros. As engordas são vistas como uma resposta necessária, mas é fundamental conduzi-las com cuidado para evitar danos.
Especialistas alertam que as engordas podem prejudicar a biodiversidade, causar mortandade de fauna e flora tanto na área doadora de areia quanto na que recebe o aterro, além de contribuir para a emissão de gases de efeito estufa. Por isso, é essencial realizar estudos detalhados e avaliar os possíveis efeitos negativos antes de iniciar essas intervenções.
Apesar dos desafios, as engordas também têm seu lado positivo, como a criação de espaços para o lazer e o turismo, a proteção de infraestruturas urbanas e a manutenção da economia local em áreas costeiras. No entanto, é fundamental buscar um equilíbrio entre o desenvolvimento humano e a preservação ambiental para garantir a sustentabilidade das intervenções nas praias brasileiras.
Fotos: Divulgação