

As mudanças climáticas, que têm sido foco de discussões e preocupações tanto do poder público quanto da sociedade civil, mostraram seu impacto devastador no Rio Grande do Sul. A recente catástrofe causada por fortes chuvas resultou em centenas de mortes e milhares de desabrigados, chamando a atenção para um dos maiores desafios da humanidade: a sobrevivência diante das mudanças climáticas.
O nível do Guaíba, a principal bacia da região que banha Porto Alegre e outras cidades como Eldorado do Sul e Viamão, atingiu 5,33 metros no dia 5 de maio, um recorde alarmante. A situação no Rio Grande do Sul serve de alerta para outras regiões do Brasil, como Pernambuco, que enfrenta a quadra chuvosa até julho e se prepara para os possíveis impactos das Ondas de Leste, fenômeno que provoca fortes chuvas ao sair da África em direção à costa nordestina.
Em maio de 2022, Pernambuco já sentiu os efeitos trágicos da devastação climática, com inúmeras vítimas e danos significativos. A pergunta que surge é: como mitigar os impactos das mudanças climáticas e evitar catástrofes futuras? A resposta passa por entender que as mudanças climáticas são reações da natureza às ações humanas desde a Revolução Industrial, com a emissão de gases do efeito estufa.

Pernambuco enfrenta não apenas inundações e deslizamentos, mas também a desertificação, que ameaça quase 90% do estado, impactando a produção agrícola e a biodiversidade. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade mapeou que 123 dos 184 municípios pernambucanos estão suscetíveis à desertificação. Karla Godoy, secretária executiva de Sustentabilidade, destacou a necessidade de reduzir emissões tóxicas e se adaptar às mudanças climáticas. Desde 2023, a secretaria desenvolve uma ferramenta para monitorar a adaptação dos municípios à agenda climática, com o primeiro relatório previsto para agosto.
Walber Santana, secretário executivo de Meio Ambiente, ressaltou a importância das áreas de preservação permanente (APPs) dos rios. Com um investimento de R$ 60 milhões, Pernambuco plantará 4 milhões de mudas até 2026, visando restaurar APPs e sequestrar carbono.
O Recife, capital pernambucana, abriga o maior programa de resiliência urbana do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Beatriz Menezes, secretária executiva do ProMorar, mencionou que a cidade investe na macrodrenagem da bacia do Rio Tejipió, com projetos para reduzir alagamentos em até 50% até 2029.
Ailton Krenak, ambientalista e filósofo, lembrou o desastre do rompimento da barragem de Mariana e alertou sobre a urgência de ações para mitigar os danos climáticos. “Plantar árvores talvez nos dê um pouco de sombra em um momento de agravamento da temperatura do planeta”, concluiu Krenak.
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