

Nesse artigo não poderíamos deixar de falar sobre inclusão. No início do mês, em sabatina na Rádio Folha, o atual prefeito e candidato à reeleição Mano Medeiros (PL), falou que “o autismo virou moda nos dias atuais”. Essa colocação gerou grande revolta nas mães atípicas, trazendo preocupação à campanha do bolsonarista.
A inclusão escolar é um direito garantido pela legislação brasileira, mas a prática muitas vezes fica aquém das promessas. Em Jaboatão dos Guararapes, cidade marcada por desafios sociais e econômicos, a questão da educação inclusiva, particularmente para crianças e adolescentes autistas, levanta preocupações sobre a efetividade das políticas públicas. Será que a cidade realmente oferece uma educação inclusiva, ou a inclusão está apenas no discurso?
Nos últimos anos, o número de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem aumentado em todo o Brasil, refletindo uma maior conscientização e melhores práticas diagnósticas. Estima-se que uma em cada 36 crianças esteja dentro do espectro autista, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Jaboatão dos Guararapes enfrenta desafios significativos na área da inclusão para pessoas com autismo. A cidade tem registrado um aumento na demanda por serviços especializados, mas a infraestrutura atual é insuficiente. Estima-se que mais de 3 mil crianças aguardam por atendimento especializado na cidade, enquanto o Núcleo de Atenção Terapêutica (NAT), inaugurado em 2023, atende menos de 10 crianças por mês, um número alarmante dada a demanda crescente.
Recentemente, a prefeitura de Jaboatão dos Guararapes lançou a Carteira de Identificação da Pessoa com Autismo (CIPTEA), que visa melhorar o atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e auxiliar na criação de políticas públicas mais eficazes. No entanto, críticas têm sido feitas à falta de serviços suficientes e ao baixo alcance de iniciativas como o NAT, o que tem gerado frustração entre as famílias locais.
Classificar o autismo como “moda” desvaloriza as experiências reais das pessoas autistas e de suas famílias. Essa expressão pode levar a uma diminuição da seriedade com que a condição é tratada, influenciando negativamente a alocação de recursos para o tratamento e apoio a essas pessoas. Além disso, perpetua o estigma em torno do TEA, dificultando a inclusão e o reconhecimento das necessidades específicas dos autistas.
Djalma Junior é Mestre em Educação, Professor da Rede Pública do Estado de Pernambuco e Professor Formador do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE).