Uso de celulares na sala de aula tem afetado aprendizagem

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O uso de celulares nas escolas é um tema amplamente debatido entre educadores, pais e autoridades. Diversas pesquisas e artigos apontam que, apesar dos possíveis benefícios tecnológicos, o uso excessivo de dispositivos móveis em sala de aula pode trazer mais prejuízos do que benefícios aos estudantes. O Ministério da Educação está finalizando os preparativos para divulgar, em outubro, um projeto de lei com o objetivo de proibir o uso de celulares em escolas públicas e privadas do Brasil. 

Em Pernambuco já existe uma lei que proíbe o uso de Smartphones em sala de aula que é a LEI Nº 15.507, DE 21 DE MAIO DE 2015 onde fica proibido o uso de aparelhos celulares e equipamentos eletrônicos nos estabelecimentos de ensino públicos ou privados, no âmbito do Estado de Pernambuco, nos seguintes termos: nas salas de aula, exceto com prévia autorização para aplicações pedagógicas e nos demais espaços, exceto se no “modo silencioso” ou para auxílio pedagógico. Esse lei tem se tornado inócua em sua efetivação onde professores não se sentem seguros em implementar e os gestores buscam não criar polêmicas em torno dessa temática.

É preciso sim uma regulamentar nacional para padronização das determinações. É interessante observar que essa regulamentação, inclusive, tem desafios específicos para cada etapa de escolarização, é muito mais fácil realizar essa tarefa. No ensino fundamental, lamento dizer, também na educação infantil, infelizmente têm pais e mães que acabam cedendo e dando celulares para crianças na educação infantil de 5 anos, 6 anos, o que é de fato um absurdo, têm crianças que estão levando celulares para a escola, na pré-escola. No Ensino Médio, até nos anos finais do Ensino Fundamental, isso já fica mais complicado. Essa vai ter que ser uma regulamentação sensível e que traz também desafios para a gestão da escola.

Um estudo realizado pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, concluiu que o excesso de tecnologia leva a prejuízos na comunicação entre crianças e jovens, problemas no sono, atrasos no desenvolvimento cognitivo, entre outros problemas. Percebe-se que a utilização das telas traz um prejuízo enorme ao aprendizado dos estudantes por vários fatores. O principal deles é que as telas não são nem tão problemáticas quanto o exercício de digitação. O ser humano tem três estratégias de memorização que foram desenvolvidas ao longo da história, uma delas é bem recente, que é a escrita.

A escrita, quando ela é desenvolvida, é a que gera a maior capacidade de memorização. A audição é muito inferior à leitura. Primeiro a escrita, depois vem a leitura, depois vem a audição, em termos de capacidade de memorização, disserta. As telas e a digitação coíbem todas elas. A escrita, para ter de fato uma memorização forte, ela tem que ser feita à mão. É assim que se desenvolve a maior capacidade de memorização. Então esse é um ponto. A utilização das tecnologias reduz a capacidade cognitiva das gerações. E pela primeira vez nós estamos verificando uma queda de capacidade cognitiva da atual geração.

Porém, se por um lado há a percepção de que o uso de meios tecnológicos é, sim, benéfico para a sociedade, o seu uso indevido da interrompe o percurso natural de diversos atores, dentre eles o aprendizado e o desenvolvimento cognitivo. A tecnologia deveria ser um caminho para aguçar a curiosidade e ela está matando a curiosidade. Teria que ser um caminho para uma elaboração mais estrutural do conhecimento. Então, por exemplo, para um estudante universitário ou para um estudante de Ensino Médio, de Ensino Fundamental, para melhorar, elaborar melhor as pesquisas e tem servido para não elaborar, mas para produzir os textos, o que é um equívoco, porque a gente perde a autoria.

Acredito que as tecnologias estão sendo mal utilizadas e estão atrapalhando o próprio desenvolvimento da humanidade em termos de ter capacidade de resolver problemas e que isso reflete no atraso da solução de problemas emergentes, como a qualidade de vida da população. Conclui-se que a tecnologia tem que ser um suporte, um meio e não o fim de uma produção intelectual.

Djalma Junior é Professor da Rede Pública de Pernambuco e Professor Formador do IFPE. Licenciado em Química e Matemática e Mestre em Gestão Ambiental.

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