

Programação apresenta o telefilme “Eu quero ir” e o documentário indígena Wadja, com acessibilidade comunicacional
A segunda edição do VerOuvindo Circula já tem data marcada para acontecer no Recife. O evento, que promove sessões de cinema acessível, será realizado entre os dias 19 e 24 de maio em diversos espaços, como escolas públicas, bibliotecas, instituições voltadas para pessoas com deficiência e, pela primeira vez, no tradicional Cinema São Luiz.
A iniciativa tem como foco a acessibilidade comunicacional, com exibições que contam com audiodescrição, interpretação em Libras e legendas descritivas, garantindo que públicos diversos — especialmente pessoas com deficiência — possam vivenciar o audiovisual de forma plena e inclusiva.
A curadoria, comprometida com a qualidade das obras selecionadas, traz temas relevantes e contemporâneos, como visibilidade para a cultura indígena, empoderamento feminino, tradições da cultura popular, inclusão social e formação profissional nas áreas de Libras e audiodescrição.
Entre os destaques da programação está o telefilme pernambucano “Eu quero ir”, de Pablo Polo, que mistura drama e comédia ao contar a história de Iara, uma menina de 12 anos apaixonada por futebol que enfrenta os valores conservadores do pai. O filme percorre as ladeiras de Olinda, celebrando o frevo, os sonhos e a luta pela emancipação feminina.
Outro destaque é o documentário indígena “Wadjá”, de Narriman Kauane, que narra a trajetória de Marilena Araújo, mulher indígena da etnia Fulni-ô, educadora e ativista, fundadora da Escola Bilíngue Antônio José Moreira. A exibição no Cinema São Luiz contará com a presença de realizadores e membros da comunidade indígena de Águas Belas (PE), promovendo um encontro inclusivo entre o público e vozes originárias da criação audiovisual brasileira.
Para Liliana Tavares, idealizadora e produtora do projeto VerOuvindo, que já realizou dez edições anteriores nos cinemas de rua da cidade, o novo formato itinerante é um passo importante para democratizar o acesso à cultura.
“O evento nasceu justamente com esses propósitos: descentralizar o audiovisual, divulgar o cinema acessível e promover experiências que sensibilizem, eduquem e inspirem. Quando uma criança com deficiência visual ou auditiva pode assistir a um filme com recursos de acessibilidade, ela entende que também faz parte daquele universo. Inclusão básica, que transforma vidas e amplia horizontes”, destaca Liliana.
Programação e acessibilidade
Ao todo, serão seis sessões, sendo duas abertas ao público: a primeira, na Biblioteca Pública Estadual, e a última, no Cinema São Luiz. Ambas serão gratuitas.
Antes das exibições, as consultoras de acessibilidade Michelle Alheios (cego) e Mariana Hora (surda) apresentarão brevemente a experiência de assistir a um filme com recursos acessíveis. Após cada sessão, haverá bate-papo com a equipe técnica responsável: audiodescritor, intérprete de Libras, consultores e assistentes de produção. Todas as conversas terão tradução simultânea em Libras e audiodescrição ao vivo.
A exibição é coordenada tecnicamente pela 9 Oitavos Produções, que utilizará equipamentos próprios e, em algumas escolas, uma telona inflável, que se transforma em espetáculo à parte durante a montagem.
O VerOuvindo Circula 2 é uma realização da Com Acessibilidade Comunicacional, com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do Ministério da Cultura, Governo Federal e Governo do Estado de Pernambuco.
Serviço
2ª edição do VerOuvindo Circula
📅 De 19 a 24 de maio
Locais e sessões:
Foto: Ícaro Benjamin