

Às 10h30 da manhã, sob o tranquilo cenário das amplas ruas do bairro de La Paternal, em Buenos Aires, Marcela Coll realiza acrobacias em um tecido suspenso no Circódromo, sua escola de circo. A ação é interrompida momentaneamente quando ela se dirige à garrafa térmica, preparando um tradicional mate argentino com água quente e folhas secas de erva-mate.
Consumido principalmente na Argentina, Uruguai, Paraguai e sul do Brasil, o mate é um chá quente e amargo, carregado de cafeína, preparado pela imersão das folhas de erva-mate. Colocadas em uma cuia, as folhas são embebidas com água quente e sorvidas pela bomba de metal. Este ritual, enraizado nas tradições dos guaranis, ganha cada vez mais destaque internacional.

Karla Johan, sommelier de mate em Misiones, Argentina, atribui parte da expansão do consumo a jogadores de futebol argentinos e uruguaios, que introduziram o hábito na Europa. O ícone Lionel Messi, agora residente em Miami, tornou-se um embaixador da erva-mate. Recentemente, até o WhatsApp incorporou um emoji de chimarrão, evidenciando a popularidade crescente.
Além do seu aspecto social, o mate é elogiado por suas propriedades saudáveis. Diego Morlachetti, mestre do chá, destaca que a erva-mate contém mais antioxidantes do que chá verde e vinho tinto, além de ser rica em vitaminas e sais minerais.

A tradição do chimarrão está intrinsecamente ligada aos povos guaranis, que acreditavam nos poderes espirituais da erva-mate. Hoje, sua popularidade se estende a diferentes países, cada um com sua interpretação única do mate, desde as folhas envelhecidas argentinas até a versão em pó brasileira.
Apesar das novas tendências, como o mate pronto para beber, Diego Morlachetti ressalta que, na Argentina, o mate é mais do que uma bebida; é um ritual que exige cuia, bomba, folhas de erva-mate e água quente, uma beleza peculiar que resiste às modernidades.
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