

Araçuaí, MG, Registra a Maior Temperatura da História do Brasil: Ondas de Calor Afetam Todo o País
A cidade mineira de Araçuaí, com pouco mais de 34 mil habitantes no Vale do Jequitinhonha, quebrou o recorde nacional ao se tornar o local mais quente da história do Brasil. Essa marca ultrapassou o registro anterior de Bom Jesus, no Piauí, que atingiu 44,7ºC em novembro de 2005. A recente onda de calor impactou não apenas as condições meteorológicas, mas também teve efeitos tangíveis na vida cotidiana dos habitantes locais.
Geraldo Magela Soares, um empresário de 61 anos que reside em Araçuaí desde o nascimento, experimentou diretamente as consequências extremas do calor. Enquanto trabalhava transportando estruturas metálicas, dois de seus pneus estouraram devido à alta temperatura do asfalto. Além dos danos materiais, Soares sofreu lesões nos ouvidos devido ao estrondo, resultando em complicações médicas.
Para mitigar os impactos do calor, a comunidade, incluindo a família e os funcionários de Soares, adotou medidas preventivas, como iniciar as atividades mais cedo, às 5h, em vez de às 7h. Chapéus para proteção solar e a ingestão abundante de água também fazem parte das precauções diárias.

A lista de cidades afetadas pela onda de calor não se limita a Araçuaí. Aragarças, em Goiás, alcançou 44,3°C em outubro, tornando-se a cidade mais quente em 2023 até o momento. Diferentemente de Araçuaí, Aragarças já liderou o ranking de altas temperaturas em duas ocasiões anteriores, destacando a persistência desse fenômeno climático.
Cuiabá, capital de Mato Grosso, também enfrenta temperaturas extremas, registrando 44,2°C em outubro e sendo considerada a cidade mais quente do país. A cidade experimentou mais de 35 dias com temperaturas superiores a 40°C apenas no segundo semestre de 2023.

O fenômeno climático El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, é apontado como um dos principais impulsionadores desse aumento nas temperaturas. Especialistas alertam que ondas de calor mais intensas e novos recordes de temperatura podem ocorrer ao longo do ano, e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que 2023 será o ano mais quente desde a década de 1960.
Os impactos adversos das altas temperaturas, que vão desde aumento na demanda por energia elétrica até problemas de saúde e redução na produtividade agrícola, destacam a urgência de medidas para enfrentar as mudanças climáticas. A conscientização sobre a relação entre atividades humanas, como desmatamento e emissão de gases de efeito estufa, e os eventos climáticos extremos é crucial para abordar efetivamente a emergência ambiental.
Fotos: Divulgação