EUA: Conservadores apoiam reparações por escravidão

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Em uma descoberta chocante, os restos mortais de 419 pessoas de origem africana foram encontrados, homens, mulheres e crianças enterrados individualmente em caixões de madeira. Estes vestígios fazem parte de cerca de 20 mil africanos escravizados enterrados na região de Manhattan, conforme estimativas históricas e antropológicas.

Originária do Brooklyn, Nova York, e descendente de escravizados, Deadria Farmer-Paellmann destaca a conexão entre os ossos de seus possíveis ancestrais e a opulência do mercado financeiro que se desenvolveu ao redor. Essa conexão despertou sua consciência para a interligação íntima entre ambos.

A advogada destaca que muitas empresas bilionárias e centenárias americanas, em sua fundação, lucraram com o trabalho não remunerado dos africanos trazidos para a escravidão até sua abolição em 1865. Desde 2002, 17 empresas foram processadas, e outras iniciaram medidas de reparação histórica.

Ao abordar a cumplicidade corporativa com a escravidão, Farmer-Paellmann destaca a mudança no debate público nos EUA, à medida que evidências documentadas revelam que empresas existentes lucraram concretamente com a prática. Ela ressalta que o movimento ganhou popularidade, pois as pessoas reconhecem o dano causado e que os beneficiários ainda estão presentes nas empresas.

Ao comparar a situação nos EUA com a do Brasil, Farmer-Paellmann aponta semelhanças “trágicas” e destaca que, embora o número de descendentes de escravizados no Brasil seja exponencialmente maior, a lógica subjacente é a mesma. Ela enfatiza a necessidade de garantir que os descendentes acessem parte da riqueza acumulada por seus ancestrais.

Quanto ao processo de reparação, Farmer-Paellmann destaca iniciativas nos EUA, como leis estaduais de divulgação sobre a escravidão, que exigem que empresas relatem suas ligações históricas com o comércio de escravos. Ela destaca a importância de fundos de restituição controlados pelos descendentes de africanos escravizados e menciona exemplos bem-sucedidos, como a Universidade de Georgetown e a Brown University, que estabeleceram fundos de reparação.

Questionada sobre a possibilidade de replicar o processo no Brasil, Farmer-Paellmann acredita que as situações são idênticas e destaca a tragédia de haver mais descendentes de africanos escravizados no Brasil. Ela expressa a possibilidade de o Brasil seguir a mesma trajetória, mas em uma escala ainda maior.

Fotos: Divulgação

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