

No último sábado (9/12), os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guiana, Irfaan Ali, concordaram em realizar uma reunião para discutir a disputa territorial entre os dois países. No entanto, a atenção global, especialmente da América Latina, não está apenas voltada para essas nações; os Estados Unidos e o Brasil emergem como protagonistas nessa crise diplomática.
O governo dos Estados Unidos, aliado político e econômico da Guiana, expressou apoio ao país, enquanto a Venezuela busca alívio das sanções econômicas norte-americanas em troca de concessões eleitorais e garantias de direitos humanos. Apesar da movimentação militar anunciada pela embaixada americana em Georgetown, especialistas sugerem que o presidente Joe Biden não tem entre suas prioridades intervir na região em caso de escalada para um conflito armado.
Philip Gunson, analista sênior para os Andes do International Crisis Group em Caracas, destaca que embora os Estados Unidos tenham declarado apoio à Guiana, é incerto como o Congresso americano reagiria a uma intervenção direta na região.

Enquanto sobrevoos do Comando Sul do Exército americano são interpretados como um sinal claro de apoio à Guiana, especialistas como Jorge Heine, da Boston University, acreditam que os Estados Unidos não estão dispostos a entrar em confronto direto, considerando seus compromissos em outras partes do mundo.
Rumores sobre a instalação de uma base militar americana na Guiana foram recebidos com ceticismo. Gunson argumenta que parece ser uma alegação da Venezuela para transformar a disputa em uma narrativa ‘anti-imperialista’. Heine, no entanto, não descarta a possibilidade se a Guiana solicitar, embora ressalte a necessidade de aprovação do Congresso dos EUA.

Os interesses econômicos também desempenham um papel crucial. Com a Guiana descobrindo reservas significativas de petróleo, incluindo na região disputada de Essequibo, e a presença da empresa americana Exxon, os EUA têm motivos para apoiar o país. Jeff Colgan, professor de Ciência Política da Brown University, observa que, apesar disso, os Estados Unidos evitariam ser percebidos como agindo militarmente para proteger interesses petrolíferos.
Enquanto a questão territorial se desenrola, a diplomacia brasileira é testada. O Brasil, como líder regional e vizinho de ambos os países, tem a oportunidade de desempenhar um papel crucial na mediação das negociações entre Guiana e Venezuela. Embora o governo brasileiro tenha expressado preocupação com a possibilidade de uma base militar americana na Guiana, a cooperação entre os EUA e o Brasil poderia ser uma via diplomática eficaz para resolver a crise. Em meio a essa complexa situação geopolítica, a América do Sul aguarda o desdobramento dos acontecimentos.
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