

Na Conferência Eleitoral do PT para as eleições municipais de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo por uma autocrítica do partido. Referindo-se a pesquisas de opinião, Lula destacou que pessoas com renda acima de dois salários mínimos estão relutantes em votar no PT, e a legenda enfrenta dificuldades em dialogar com evangélicos.
O presidente ressaltou a necessidade de uma revisão estratégica, indicando que até mesmo “um metalúrgico que ganha R$ 8 mil” já não se sente inclinado a votar no partido. Ele enfatizou que a eleição de 2026 será polarizada entre petistas e apoiadores de Jair Bolsonaro, atualmente inelegível.

Ao lado de ministros, parlamentares e governadores do PT, Lula discursou no primeiro dia do evento, instigando uma reflexão sobre se o partido está se comunicando efetivamente com a população. Ele expressou a necessidade de retomar o “trabalho de base” e reconquistar apoio nas ruas, reconhecendo que o PT enfrenta desafios que precisam ser enfrentados internamente.
Lula mencionou a desconexão percebida com a população, exemplificada pelo tamanho reduzido da bancada do PT na Câmara. Ele questionou por que um partido tão competente e relevante elegeu apenas 70 deputados e destacou a importância de entender as razões por trás desse resultado.
O ex-presidente também antecipou que a próxima eleição será polarizada entre petistas e apoiadores de Bolsonaro, incentivando os membros do PT a não terem “medo” da militância e a demonstrarem comprometimento com os valores do partido.

Ao final do discurso, Lula sublinhou a importância de visitar igrejas e dialogar com líderes religiosos para entender melhor as necessidades e perspectivas da população.
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, aproveitou a ocasião para elogiar Lula por seus esforços em “resgatar o Brasil da destruição bolsonarista” em 11 meses. Ela pediu a prisão de Bolsonaro e criticou os juros “escorchantes” do Banco Central, indicado por Bolsonaro.
Lula, apesar de ainda não ter definido completamente a estratégia para as eleições municipais, anunciou seu envolvimento direto nas campanhas de São Paulo e São Bernardo do Campo. Ele enfatizou a importância dessas localidades no confronto com o bolsonarismo. O ex-presidente também planeja viagens nacionais para inaugurar obras em 2024.
Fotos: Divulgação