

O presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, em uma entrevista à BBC News Brasil e BBC News Mundo, afirmou que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está tentando “incutir medo no povo” guianense e não descartou a possibilidade de instalação de uma base norte-americana no país. A região em questão, conhecida como Essequibo, é rica em minérios e petróleo e tem sido alvo de tensões entre os dois países.
Ali afirmou que seu governo fará “tudo o que for necessário” para garantir a soberania e integridade territorial da Guiana. Ele destacou que a Guiana é um país pacífico, mas está disposta a agir dentro dos domínios do direito internacional para proteger seus interesses. O presidente enfatizou que a fronteira entre a Guiana e a Venezuela foi resolvida em 1899 pela Sentença Arbitral de Paris, e diversos parceiros internacionais respeitam esse acordo.
Quando questionado sobre a possibilidade de instalação de uma base militar dos Estados Unidos na Guiana, Ali afirmou que seu governo monitorará todas as ações da Venezuela e tomará decisões apropriadas em cooperação com parceiros bilaterais e internacionais para proteger a segurança e a soberania do país.
O presidente reiterou que Essequibo pertence integralmente à Guiana, e as alegações da Venezuela não afetam a capacidade da Guiana de emitir licenças para empresas de petróleo, como a ExxonMobil. Ele descartou a ideia de negociações sobre a questão e afirmou que qualquer desenvolvimento em Essequibo será determinado pela Corte Internacional de Justiça.
Sobre a crise climática, Ali defendeu que a Guiana é um modelo para o mundo, destacando sua vasta floresta e a taxa de desmatamento mais lenta. Ele enfatizou a necessidade de investir em defesas marítimas devido ao fato de o país estar abaixo do nível do mar.

Quando questionado sobre a ameaça percebida de Maduro, Ali afirmou que o presidente venezuelano está tentando incutir medo, mas a Guiana não cederá ao medo e se preparará para qualquer eventualidade. Ele expressou confiança na cooperação com parceiros internacionais para proteger a Guiana e garantiu que a ameaça de Maduro é a preocupação, não a invasão.
Sobre a possibilidade de dividir as receitas do petróleo de Essequibo com a Venezuela, Ali rejeitou categoricamente a ideia, afirmando que essas receitas pertencem à Guiana, e não há necessidade de negociar um acordo de partilha de receitas.
Em relação ao papel do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, Ali destacou o apoio de Lula à Guiana, respeito ao acordo de 1899 e esforços para reduzir as tensões na região. Ali também mencionou que as Forças de Defesa da Guiana e do Brasil estão em discussões contínuas.
A entrevista abordou diversos aspectos das tensões regionais, incluindo as implicações militares, econômicas e ambientais.
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