

Crise no Turismo nas Ilhas Canárias: Conflitos e Demandas em Destaque
O jornalista Toni Ferrera, do Canarias Ahora, trouxe à tona uma realidade alarmante enquanto percorria o sul da ilha de Gran Canaria: o encontro com Juan, um homem de 53 anos que vive em barracos por não ter condições de pagar um apartamento. Essa história é emblemática da situação enfrentada nas Ilhas Canárias, onde o turismo floresce, mas os problemas sociais persistem.
A crítica ao modelo turístico atual se fez evidente nas grandes manifestações do último fim de semana, que reuniram quase 60 mil pessoas, um número significativo para a região. José Miguel Martín, presidente da Fundação Canaria Tamaimos, destaca um sentimento generalizado de insatisfação na sociedade canária.
Um dos problemas mais urgentes é a falta de moradias acessíveis, exacerbada pelo aumento desenfreado dos aluguéis de férias nos últimos anos. Víctor Martín, organizador dos protestos, salienta que os preços médios de aluguel dobraram entre 2014 e 2024. O turismo, apesar de gerar receitas bilionárias, não tem proporcionado melhorias significativas para a população local.

Mesmo os hoteleiros reconhecem a necessidade de mudança. A associação Ashotel argumenta que o foco deve ser na qualidade da oferta turística, não no crescimento descontrolado que tem sobrecarregado a infraestrutura e gerado impactos negativos.
O presidente do governo regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, demonstrou compreensão em relação aos protestos, mas até o momento não houve compromissos concretos por parte das autoridades. As reivindicações, como a introdução de um imposto turístico, foram rejeitadas pelo Parlamento regional.
Os ativistas canários, contudo, não parecem dispostos a desistir tão facilmente. Toni Ferrera acredita que a manifestação de abril foi apenas o início de um movimento que ainda tem muito a reivindicar. O futuro do turismo nas Ilhas Canárias está em jogo, e a pressão por mudanças significativas continua a crescer.
Fotos: Divulgação